quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A UM AUSENTE...


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Nascimento!!!


Uma semente deixada num ato de amor, No pulsar dos sentidos, no ventre de mulher... Algo cresce naquele aconchego do útero materno. Dois corpos se transformam, um cresce e ganha forma, o meu de mãe se habitua, aos enjoos e tonturas sempre com ternura. A pele se alonga noutras formas, tudo se renova no meu ser, a sensibilidade se aflora. Aquele dia que senti pela primeira vez o teu remexer dentro de mim, tudo se renova no meu ser. Tu sempre atento a cada momento destes dois seres por ti amados, com tuas mãos acaricias a nossa cria por entre a minha pele. Chegado o momento de sofrimento e ansiedade, onde o amor transforma a dor, própria deste acontecimento, este será o dia sempre presente, quando juntos sentimos seu rosto singelo num choro contido deste primeiro momento na chegada a esta vida. Nossa...

Vozes


Quando virá a alforria? Sinto ainda o chicote Nas costas torturadas Pelo desprezo, do nada, Do que sou, do que fui, De onde nem sei se vou... Quando virá o dia Em que soltarão os grilhões, Cicatrizarão as feridas E terei amor pela vida Que o futuro pode me proporcionar? Vozes na lembrança, Choros incontidos, Estalos cortando o ar e os feridos A cantar...Sempre cantando suas dores, Na maneira exata de dizer: Sou gente!Independente de não querer... Quando??